O Instituto Internacional de Identificação publica nesta semana o artigo “O Paradigma Quântico: como a computação quântica vai redefinir a segurança digital, os negócios e a infraestrutura global”, de autoria de Maurício Augusto Coelho, Diretor de Relações Internacionais do InterID. O texto está disponível na seção de artigos do site e foi produzido após a participação do autor como painelista no CertForum ID 2026, realizado em Brasília nos dias 9 e 10 de junho.
O artigo chega em momento de aceleração significativa no campo da computação quântica. Nas semanas que antecederam sua publicação, a Microsoft anunciou o Majorana 2, chip topológico com qubits mil vezes mais estáveis que a geração anterior, e reduziu seu prazo para um computador quântico escalável de 2033 para 2029. O Google havia feito movimento semelhante em março deste ano. É a primeira vez que dois dos maiores laboratórios de hardware quântico do mundo convergem para o mesmo horizonte temporal.
Para o setor de certificação digital, a implicação é direta. Os algoritmos que sustentam a ICP-Brasil, incluindo RSA, ECDSA e Diffie-Hellman, são completamente vulneráveis ao Algoritmo de Shor e não resistem a um computador quântico operacional. Isso afeta certificados digitais A1, A3 e A4, assinaturas eletrônicas qualificadas, a plataforma GOV.BR, passaportes eletrônicos e toda a cadeia de confiança da infraestrutura de chaves públicas do país.
O texto também analisa o ataque conhecido como Harvest Now, Decrypt Later, pelo qual adversários coletam e armazenam dados criptografados hoje para decriptá-los no futuro, um risco que independe da chegada do computador quântico e já está em curso.
Em contrapartida, o artigo traz a boa notícia: a solução técnica existe e está disponível. O NIST publicou em agosto de 2024 os três primeiros padrões de criptografia pós-quântica, ML-KEM, ML-DSA e SLH-DSA. O Brasil deu seu primeiro passo normativo formal em fevereiro deste ano, com a Instrução Normativa ITI nº 35/2026, que incorporou ML-KEM e ML-DSA ao arcabouço da ICP-Brasil. Em março de 2025, um quinto algoritmo foi selecionado pelo NIST: o HQC, baseado em códigos corretores de erros, que oferece diversidade matemática em relação aos algoritmos de reticulados já padronizados.
O texto cobre ainda o panorama regulatório global, com prazos formais em vigor nos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Alemanha e França, e apresenta um roteiro executivo com quatro ações prioritárias para organizações que queiram iniciar a transição: o inventário criptográfico, a avaliação de risco de coleta preventiva de dados, a implementação de pilotos de migração híbrida e o monitoramento contínuo da evolução normativa.
“A migração para criptografia pós-quântica não é uma questão de TI. É uma questão de governança, e o relógio não espera a decisão de orçamento”, afirma o autor.
O artigo está disponível gratuitamente na seção de artigos do site do InterID e é direcionado a gestores públicos e privados, profissionais de segurança da informação, especialistas em identidade digital e operadores do ecossistema de certificação digital brasileiro.
Sobre o InterID
O Instituto Internacional de Identificação é uma organização dedicada ao desenvolvimento, à pesquisa e à promoção de boas práticas em identificação digital, biometria, certificação e infraestrutura de confiança. Atua como ponto de convergência entre os setores público, privado e acadêmico no campo da identidade digital no Brasil e no contexto internacional.
Leia o artigo completo: https://interid.org/artigos/o-paradigma-quantico/


